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Persépolis | Recomendação de Quadrinho

:: Sobre a edição
Título: Persépolis
Editora: Quadrinhos na cia.
Nº de páginas: 352
Tipo de capa: Cartonada
:: Sobre os spoilers
Estão presentes no texto abaixo, porém, por se tratar de uma obra biográfica, acredito que não prejudicará as pessoas que ainda não leram.

:: Sobre a obra
Em persa, Persépolis significa “A cidade Persa”, hoje conhecida como Shiraz, uma cidade histórica localizada no Irã. É neste país, infelizmente tão mal representado na mídia, que se passa boa parte da narrativa e também dá nome à este quadrinho fascinante e autobiográfico.

Persépolis foi publicado pela primeira vez em 2000, e a autora é a Marjane Satrapi, também conhecida por ser a primeira mulher iraniana, autora de quadrinhos. Marjane é a protagonista da história, em que ela narra uma parte de sua vida que vai do fim de sua infância até o começo de sua vida adulta. Foi neste período que o Irã passou grandes transformações, com um forte domínio religioso e uma longa guerra com o vizinho Iraque.
A história começando dando uma breve explicação sobre a complexa história da origem do Irã, esta será a única parte na forma de texto, todo o restante são apenas quadrinhos. Todos os desenhos são em preto e branco, lembrando um pouco o estilo do mangá, só que com traços mais simples e sem tons de cinza, isso não quer dizer que seja ruim, combina perfeitamente com a obra.

A primeira parte da história nos mostra como o país passou de uma nação livre, para um local controlado por religiosos que tomaram o poder através de uma “Revolução Islâmica”. Parte das mudanças desta revolução é a obrigatoriedade do uso do véu, assim como o banimento de tudo relacionado ao ocidente, inclusive a prática de outras línguas. Neste momento também é apresentado a família de Marjane, seus pais são bastante amorosos e bem liberais, com uma cabeça bastante aberta, ainda mais pensando em um país como o Irã, na década de 80.
Na segunda parte da história, os pais de Marjane, preocupados com a crescente repressão em seu país, decidem mandar sua filha para a Áustria, onde ela pode ser livre e viver de acordo com suas convicções. Porém, o que era para ser uma grande alegria, acaba por se tornar um dos períodos mais triste da vida da protagonista, com abusos de bebida e drogas. Neste período Marjane faz uma autocrítica e percebe que se tornou uma pessoa contrária ao que prometeu a si mesma e a avó.

A última parte mostra Marjane voltando para o Irã, apesar do país ainda passar problemas, ela decide construir sua vida em sua própria “casa”, com sua família e seus amigos, ainda que cada um deles tenham passados por profundas mudanças interiores. Muita coisa mudou desde o passado e aos poucos ela percebe que não pode mais viver no Irã, sua cabeça mudou.

O ponto forte da narrativa de Marjane é sua naturalidade em falar sobre praticamente todos os problemas que passou, em alguns casos, ela chega a conversar com o leitor, como se soubesse o que nós estamos pensando sobre determinado ponto de sua história. Outra qualidade da personagem, e que acredito que agradará muito as mulheres, são os momentos que a autora questiona assuntos referentes ao preconceito de gênero, como por exemplo o uso de roupas cobertas para mulheres ou sua liberdade sexual. Independente do gênero, Persépolis é um quadrinho que agrada qualquer pessoa, seja pelos relatos da Marjane ou pela maneira leve e envolvente com que ela trata até assuntos mais pesados.
O sucesso do quadrinho foi tão grande, que ganhou uma adaptação animada, dirigido e roteirizado pela própria Marjane e por Vincent Paronnaud. O filme também foi um sucesso, chegando a concorrer ao Oscar de melhor animação, porém perdeu para o Ratatouille.

Marjane ainda fez outros trabalhos lançados na França, seu atual país. No Brasil, infelizmente, ainda não chegaram outros dos seus trabalhos traduzidos. Deixaremos então para um futuro falarmos mais sobre essa talentosa artista.

Espero, mais uma vez, ter plantado a curiosidade em vocês, para que se dediquem a ler Persépolis e que, caso quadrinhos não seja sua preferência, que Persépolis seja então uma porta de entrada para o mundo das hqs!

Boa leitura e acompanhem nossa fan page!

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